Ngari · guia prático

Ngari, Tibete: Guia prático para o extremo oeste e a grande rota do norte

Um guia centrado nos itinerários da região de Ngari, no oeste do Tibete: o corredor sul entre Lhasa e o Kailash, os lagos de Changtang e o campo de gelo de Puruogangri.

Nota de campoNgari
Paisagem de planalto elevado em Ngari, no oeste do Tibete
Paisagem de planalto elevado em Ngari, no oeste do Tibete

A terra para além de Shigatse

Ngari (Ali) é o extremo oeste do Tibete: mais seco, mais alto e mais vazio do que o planalto central. A altitude importa, mas o tempo é a restrição mais difícil. Uma viagem a Ngari que valha a pena acrescenta dias ou semanas a qualquer itinerário pelo Tibete, e as distâncias por estrada são longas. Chegue aclimatado, planeie com margem e conte com o tempo e as condições das estradas a alterar o programa.

Estrada de altitude na aproximação a Ngari
Longos dias de estrada fazem parte de qualquer itinerário por Ngari

Duas formas de percurso

Normalmente, chega-se a Ngari por uma de duas vias. A rota sul segue o corredor Lhasa–Shigatse–Saga–Purang–Zanda e regressa pela mesma linha geral, com um desvio opcional ao Everest. É a introdução mais curta, habitualmente planeada para cerca de oito dias. A rota norte continua da zona de Kailash até Shiquanhe e depois para leste através do Changtang, ligando Gerze, Coqên, Nyima, Shuanghu, Baingoin e Namtso. A combinação das rotas sul e norte dá origem à Grande Rota Norte, habitualmente de 13 a 16 dias. Encare estes números como referências de planeamento, não como programas fixos.

A rota sul: de Lhasa à região de Kailash

Lhasa, Yamdrok e Shigatse

Saia de Lhasa pela estrada que acompanha o rio Lhasa e a estrada 318, e depois vire em direção ao lago Yamdrok. O lago situa-se acima dos 4 000 metros e é um dos três grandes lagos sagrados do Tibete, a par de Manasarovar e Namtso. A sua margem é profundamente recortada, e a água passa de turquesa-pálido a azul-escuro à medida que as nuvens e a luz do sol se movem sobre ela. O passo de Gampala proporciona a vista ampla; a estrada ao longo da margem permite uma observação mais próxima. Continue até Shigatse para pernoitar.

Lago Yamdrok visto do passo de Gampala
O lago Yamdrok é o primeiro grande lago da rota sul
Margem do lago Yamdrok
A cor do lago muda com a luz e as nuvens

De Shigatse a Saga

As etapas seguintes atravessam deserto de altitude e pradarias, com vistas amplas e poucos povoados. Lhatse é uma paragem prática para combustível e mantimentos; Saga é a pernoita habitual antes da subida para Ngari propriamente dito. A rota passa por pequenos lagos e pelo entroncamento das estradas 318 e 219. Os postos de controlo policial podem pedir documentos de identidade e a autorização de fronteira, por isso mantenha os documentos acessíveis.

Pradaria de altitude entre Shigatse e Saga
A paisagem abre-se a oeste de Shigatse

Manasarovar, Rakshastal e o monte Kailash

A oeste de Saga, a terra abre-se em pastagens amplas e lagos. É uma boa zona para avistar kiang, antílopes tibetanos e gazelas, embora os avistamentos nunca sejam garantidos. Manasarovar e Rakshastal ficam próximos um do outro, mas têm atmosferas distintas: Manasarovar é o lago de água doce associado ao mérito e à peregrinação; Rakshastal, o lago do demónio, é salino e frequentemente fustigado pelo vento. O monte Kailash ergue-se mais além. Com 6 656 metros, não é o pico mais alto da região, mas é o mais venerado, considerado sagrado no hinduísmo, no budismo, no bon e no jainismo.

A kora de 56 quilómetros em torno de Kailash é habitualmente percorrida a pé em três dias, embora os peregrinos devotos possam demorar muito mais. É uma caminhada séria de altitude, não um passeio turístico; os viajantes sem experiência de trekking devem ponderá-la com cuidado. Tarchen, no sopé da montanha, é a base para o circuito e dispõe de alojamentos simples e mantimentos.


Monte Kailash acima do planalto
O Monte Kailash é o ponto focal da região de Kailash
Manasarovar e montanhas distantes
Manasarovar é um dos grandes lagos sagrados do Tibete

Purang, Zanda e o Reino de Guge

A partir da região do Kailash, a rota sul continua até Purang e depois até Zanda (Tsada). A aproximação a Zanda atravessa uma paisagem de terra erodida: a Floresta de Terra de Zanda, um labirinto de cristas, ravinas e pináculos escavados em antigos depósitos lacustres e fluviais. A estrada desce por estas formações até ao vale do Sutlej, onde Zanda se situa a uma altitude inferior à de grande parte do planalto em redor.

Acima da cidade encontram-se as ruínas do Reino de Guge, que governou partes do Tibete ocidental entre os séculos X e XVII e deixou um importante legado de murais, escultura e arquitetura. O sítio sobe por uma crista, pelo que convém reservar tempo e avançar devagar. Ao pôr do sol, a terra e a pedra ganham um tom dourado, embora a altitude faça com que até uma subida curta pareça mais difícil do que se espera. Na própria Zanda, o mosteiro de Tholing foi fundado no final do século X e tornou-se um centro de aprendizagem budista; os seus edifícios revelam influências da Índia, do Nepal e do Tibete.

Formações de terra erodida perto de Zanda
A Floresta de Terra de Zanda rodeia a aproximação à cidade
Ruínas do Reino de Guge
As ruínas de Guge sobem por uma crista acima do vale
Mosteiro de Tholing em Zanda
O mosteiro de Tholing foi um importante centro de aprendizagem budista

Regresso a leste, com opção do Everest

Depois de Tarchen, os viajantes podem regressar a leste pelo caminho que fizeram ou fazer o desvio opcional em direção ao Everest. A variante do Everest passa por Peiku Tso e por pontos com vista para o Shishapangma antes de continuar por Tingri Antigo em direção ao lado norte do Everest, ao mosteiro de Rongbuk e à zona do acampamento base. Ambas as opções regressam normalmente a Lhasa via Shigatse e o mosteiro de Tashilhunpo. Tenha em conta a aclimatação e as condições meteorológicas.

Tarchen abaixo do Monte Kailash
Tarchen é a base para o circuito do Kailash

A rota norte através do Changtang

A extensão norte começa em Tarchen e segue a estrada 219 para noroeste até Shiquanhe (Gar), o centro administrativo de Ngari. A partir daí, a rota vira para leste e entra no Changtang, passando por Gerze e Coqên antes de chegar à região dos lagos em torno de Nyima e Shuanghu. Esta é uma zona remota, elevada e pouco povoada. As estradas podem ser pistas acidentadas; por vezes, os condutores seguem marcas de pneus deixadas anteriormente em vez de uma estrada construída. Um veículo fiável, um condutor local experiente e um grupo com pelo menos dois veículos são precauções sensatas. Para viajantes internacionais, esta secção é normalmente feita numa excursão guiada em veículo 4x4.

Shiquanhe e montanhas circundantes


Pangong Tso fica a norte da rota principal, perto de Rutog, e é frequentemente incluído como desvio. O lago estende-se pela fronteira com a Caxemira sob administração indiana; a margem tibetana é conhecida pela cor mutável e pelas colinas áridas. Mais a leste, Tso Dangra Yumco é o grande lago sagrado do bön, com os picos escuros e cobertos de neve da montanha Dargo ao longo da sua margem sul. O condado de Shuanghu é a porta de entrada para o campo de gelo de Puruogangri, um dos maiores sistemas glaciares fora das regiões polares, rodeado de lagos e deserto. O acesso e as condições variam; confirme localmente antes de planear uma visita.

Pangong Tso e a margem árida
Pangong Tso é um possível desvio a norte da rota principal
Tso Dangra Yumco e a montanha Dargo
Tso Dangra Yumco é sagrado para os seguidores do bön
Campo de gelo de Puruogangri e deserto circundante
Puruogangri fica na região dos lagos elevados do Changtang

A rota norte termina, no itinerário habitual, no Namtso. A península de Tashi Dor, no lago, é o miradouro mais conhecido, enquanto a área do Portão do Elefante Sagrado fica mais a norte. A última etapa de carro até Lhasa pode incluir uma paragem na área geotérmica de Yangbajing.

Costa do Namtso
Namtso é habitualmente o extremo leste da rota norte

Pontos práticos para viajar em Ngari

Licenças e formalidades oficiais

Ngari faz fronteira com o Nepal e a Índia, e é necessária uma licença de fronteira além da licença para o Tibete. Os visitantes internacionais normalmente tratam de ambas através de uma agência de viagens tibetana licenciada, como parte de um itinerário guiado. As regras podem mudar; antes de reservar, confirme os requisitos atuais, incluindo quaisquer restrições a condados específicos, com a agência e com fontes oficiais do turismo tibetano. Leve o passaporte e cópias das licenças.

Altitude e saúde

Grande parte da rota situa-se acima dos 4.000 metros, e algumas passagens de montanha e povoações ficam bastante mais alto. Reserve tempo em Lhasa e Shigatse antes de seguir para oeste. Fale com um médico sobre medicação para a altitude antes de viajar, evite álcool nos primeiros dias e não menospreze dores de cabeça, falta de ar ou náuseas. As instalações médicas são limitadas fora das principais localidades; o seguro de viagem deve cobrir evacuação em altitude elevada.

Estradas, veículos e combustível

A rota sul utiliza estradas principais, mas continua a implicar dias longos. A rota norte é mais lenta e imprevisível. Não conduza por conta própria, a menos que tenha as cartas de condução e autorizações corretas e um veículo adequado às condições. Em zonas remotas, permaneça junto do veículo se este avariar e aguarde ajuda; não se afaste. Os postos de combustível estão muito espaçados, por isso encha o depósito sempre que possível.

Época e vestuário

A janela mais fiável vai do final da primavera ao início do outono, antes de a neve começar a encerrar algumas rotas. Junho e setembro situam-se frequentemente antes e depois das chuvas principais. Mesmo no verão, as manhãs e as noites são frias. Leve um casaco de plumas, camadas exteriores corta-vento e impermeáveis, calçado resistente, proteção solar e um saco de dormir para alojamentos simples.

Alojamento e provisões


Shiquanhe, Zanda e Purang têm a maior oferta de alojamento. Tarchen, Shuanghu e paragens menores oferecem quartos básicos ou camas em guesthouses; a água quente e a eletricidade podem ser limitadas. Leve uma lanterna frontal, um carregador portátil, medicamentos básicos e lanches. O dinheiro em espécie é útil em locais pequenos, embora o pagamento por telemóvel seja generalizado nas vilas.

Taxas e acesso

As taxas de entrada e as condições de acesso aos locais também mudam; um roteiro mais antigo pode já não estar correto.

Como este guia foi produzido

Este guia combina pesquisa estruturada e automação com revisão de fontes e duplicações. Confirme informações sujeitas a mudanças antes de viajar.

Continue explorando

Notas de campo relacionadas