O Templo Putuo Zongcheng fica ao norte da Estância de Montanha de Chengde, na encosta que sobe para as colinas além do retiro imperial de verão. É o maior dos Oito Templos Exteriores, as fundações budistas tibetanas construídas fora da estância sob os Qing. O nome é uma versão chinesa ligada ao Potala, em Lhasa, e o traçado em terraços sobe a colina como o palácio-mosteiro no Tibete. Os visitantes chamam-lhe Pequeno Potala desde então.
Um templo para dois aniversários e um regresso a casa
A construção estava ligada a celebrações da corte: o sexagésimo aniversário de Qianlong e o octogésimo aniversário de sua mãe no ano seguinte. O templo ficou concluído quando Ubashi, líder dos torgutes, chegou a Chengde. Os torgutes eram um povo mongol que se tinha mudado para o baixo Volga no século XVII para escapar às incursões dos zúngaros; no século XVIII, a pressão russa apertara o cerco ao seu redor. Ubashi sucedeu como cã em 1758 e liderou o longo regresso para leste. A recepção que lhe foi feita em Chengde deu ao novo templo um segundo significado: o de monumento a esse regresso.
Do Templo Puning ao portão do templo
O Putuo Zongcheng fica a dois a três quilómetros do Templo Puning, outro dos Oito Templos Exteriores. É possível ir a pé, mas muitos visitantes tomam um táxi porque os autocarros entre os dois podem exigir um transbordo. As rotas mudam; confirme o transporte atual com uma fonte oficial local ou com o seu alojamento. Depois do portão, conte com uma sequência de pátios e escadas, e não com uma única sala.
O pavilhão de estelas: três pedras, três histórias
Logo à entrada, um pavilhão de estelas guarda três pedras quadradas dispostas lado a lado. A central, o Registo do Templo Putuo Zongcheng, explica por que razão o templo foi construído. As estelas laterais registam a submissão dos torgutes e as medidas de socorro da corte Qing para com o povo que regressava. Lidas em conjunto, transformam a entrada num relato político, e não num limiar decorativo.
O Portão das Cinco Pagodes e a linguagem da cor
Para além do pavilhão de estelas, o Portão das Cinco Pagodes é ladeado por elefantes, animais associados ao budismo. No seu telhado erguem-se cinco pagodes lamaístas, com cores atribuídas a cinco escolas: preto para o Bon, branco para o Kagyu, amarelo para o Gelug, florido para o Sakya, vermelho para o Nyingma. O Gelug, a escola amarela, ocupa o centro, um reflexo da sua posição na corte Qing. As cores têm outros significados: vermelho com lótus para Amitayus, amarelo com tesouros, branco com uma roda do dharma, preto com um vajra, verde com uma espada. A disposição é frequentemente explicada como uma forma de os funcionários mostrarem reverência passando de cabeça descoberta sob os pagodes, sem uma prostração completa, o que preservava o protocolo imperial.
Arco vidrado e o Terraço Vermelho
O arco vidrado tem três vãos, quatro pilares e sete secções de telhado. A sua forma evoca o arco do Guozijian, em Pequim, e a sua função era igualmente hierárquica: esperava-se que os funcionários civis e militares parassem ali. No Guozijian, a estrutura paralela estava associada a estudiosos que tinham passado nos exames mais altos. Aqui, o arco marca a transição do recinto inferior para o núcleo elevado do templo.
Mais adiante, o Terraço Vermelho é o volume dominante do templo, erguendo-se em sete níveis: quatro níveis maciços na base e três níveis superiores que abrigam os edifícios principais. Seis nichos ocupam o centro da fachada, associados ao sexagésimo aniversário de Qianlong; no topo, oitenta pequenos nichos remetem ao octogésimo aniversário de sua mãe. A história ligada a essa disposição é que Qianlong colocou os símbolos da longevidade de sua mãe acima dos seus como declaração pública de respeito filial.
A entrada fica no lado oeste; fora isso, a fachada frontal é fechada, com apenas algumas janelas cegas. A partir da entrada, 104 degraus sobem pela base. O ensinamento budista fala de 108 tipos de sofrimento. Quatro deles (nascimento, envelhecimento, doença e morte) são inevitáveis; os 104 restantes, diz-se, são liberados um a um a cada degrau. O número dá à subida um ritmo contemplativo, embora a inclinação e os degraus de pedra ainda exijam atenção.
O Salão Wanfa Guiyi e o Telhado Dourado
No alto dos degraus, o Salão Wanfa Guiyi é o ponto focal. Seu telhado é coberto por telhas de cobre douradas em forma de escamas de peixe, que, segundo se diz, consumiram mais de dez mil taéis de folha de ouro de primeira qualidade. O efeito é mais forte visto de cima: um complexo retangular ao redor tem escadas que continuam até o nível do telhado, onde as telhas podem ser vistas de perto e a geometria do templo se torna clara.
Um relato local da invasão japonesa de 1933 descreve um soldado que subiu ao telhado para arrancar ouro. As telhas eram espessas e a inclinação, acentuada; diz-se que ele retirou apenas a camada mais baixa. Um segundo soldado tentou o mesmo e caiu, morrendo. O episódio foi interpretado como sinal da proteção do Buda, e o telhado foi deixado intacto. A história pertence ao folclore moderno do templo, e não a qualquer registro de engenharia, mas explica por que os visitantes ainda examinam o telhado de perto.
Bandeiras de oração e o ritmo da visita
Na plataforma do Terraço Vermelho, funcionários podem oferecer bandeiras de oração de cinco cores e explicar seu simbolismo. Pendurá-las é opcional e pode haver cobrança; pergunte antes de seguir adiante, caso isso seja relevante para você. As bandeiras são uma camada devocional contemporânea sobre um local concebido para o ritual da corte e a exibição imperial.
Reserve mais tempo do que para um único salão. O local se revela por etapas, e a subida faz parte da visita. Leve água, use calçado com aderência e verifique a previsão do tempo antes de sair; os degraus são irregulares em alguns trechos e algumas passagens são estreitas. As restrições à fotografia variam conforme o salão, portanto siga as placas afixadas. Horários de funcionamento, regras de bilheteria e transporte mudam; confirme os detalhes atuais com uma fonte oficial antes de ir.
Putuo Zongcheng recompensa a atenção à sequência. As estelas expõem a história política, os portões ensinam a doutrina por meio da cor e da hierarquia, o Terraço Vermelho transforma a subida em exercício devocional, e o telhado dourado une a composição. Mais do que uma cópia em miniatura, trata-se da leitura própria de Chengde de uma forma tibetana, construída para a cerimônia Qing e para a memória do retorno de um povo.
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