O Emei Shan ergue-se da Bacia de Sichuan, em Leshan, até aos 3.099 metros do Wanfoding. É uma das quatro montanhas budistas sagradas da China, e os peregrinos sulcam-lhe os caminhos há séculos. Dois dias bastam para o cume e para os vales dos templos, desde que se encare a viagem em dois movimentos distintos: subida no primeiro dia, descida no segundo.
Um itinerário de dois dias em resumo
O primeiro dia vai do Templo Baoguo e da Cascata Xiujia até Leidongping, seguindo depois para Jinding e Wanfoding. Se a nuvem e a luz do sol colaborarem, pode surgir a Auréola do Buda. O segundo dia desce de Taiziping, passando por Hongchunping e pelo Pavilhão Qingyin, até Yixiantian; a área alta de Wanfo Chaozong é uma extensão opcional. A sequência é exigente. Comece cedo, mantenha o plano flexível e deixe que o tempo dite o ritmo.
Primeiro dia: do portal do templo ao Cume Dourado
Templo Baoguo
O Templo Baoguo marca o limiar da montanha. Fica no sopé do Emei Shan, tendo o Monte Guangming por trás e defrontando a pequena colina conhecida como Fenghuang Bao. Sendo o maior templo da base, constitui um ponto de orientação natural antes de a estrada começar a subir.
O portão principal ostenta uma placa com inscrição do imperador Kangxi. Durante os reinados de Jiaqing e Guangxu, o complexo foi ampliado para quatro salões, com pavilhões, pátios e edifícios anexos. Percorrê-lo mostra até que ponto o budismo moldou a arquitetura da montanha; o sítio sagrado começa muito antes de o cume se recortar no horizonte.
Cascata Xiujia
A Cascata Xiujia é uma paragem breve que introduz a antiga reputação de beleza da montanha. O nome Xiujia Tianxia encerra uma afirmação ambiciosa: a de que a paisagem de Emei supera todas as demais. A queda desce numa linha branca sobre a rocha escura, levantando salpicos que se dispersam pelo caminho. À luz do sol, pode formar-se um arco-íris na neblina; depois da chuva, o ribeiro abaixo corre ruidoso e barrento.
Leidongping
Em Leidongping, o ar arrefece e o tempo da montanha passa a fazer parte da experiência. Segundo a tradição local, uma antiga estela de ferro aqui advertia os visitantes contra o ruído, pois este seria seguido de trovões e tempestades repentinas. A história diz menos sobre meteorologia do que sobre o temor reverencial que o lugar outrora inspirava.
Entre Leidongping e o Salão Jieyin, os rododendros crescem em maciços densos. No início do verão, árvores isoladas podem cobrir-se de flor, e as encostas ganham uma cor breve antes de a nuvem voltar a cerrar-se.
Jinding e a estátua dourada
Jinding é a imagem que a maioria dos viajantes leva consigo do Emei Shan. A estátua dourada de Samantabhadra, uma figura de quatro faces e dez direções, ancora o cume. A sua forma reúne num só lugar o ritual budista, a iconografia e a paisagem. Mesmo sem intenção religiosa, a escala e o enquadramento explicam por que razão o cume funciona como centro simbólico da montanha.
As vistas dependem das nuvens. Quando o céu se abre, o desnível até à planície é imenso e as cristas em redor surgem em camadas. Quando as nuvens enchem os vales, o cume torna-se um lugar fechado, silencioso e afastado do mundo lá em baixo.
Wanfoding e a Auréola do Buda
Wanfoding, a 3.099 metros, é o ponto mais alto do Emei Shan. O nome evoca a ideia de um lugar onde Samantabhadra habita e dez mil Budas o rodeiam. A zona é descrita como floresta virgem, com o Pavilhão Wanfo, bosques de rododendros alpinos, a Ravina Heixiong e Xianren Huitou entre os seus elementos. As condições nos caminhos superiores mudam com o tempo, por isso informe-se localmente antes de planear uma extensão do percurso.
A chamada Auréola do Buda do Emei é um efeito óptico. Fique de costas para o sol quando as nuvens enchem o vale abaixo e pode aparecer um anel colorido com a sua sombra no centro. Se se mover, a sombra move-se; se sair, o anel esvazia-se. As nuvens, o ângulo do sol e a paciência são todos importantes. Não espere num local exposto por um vislumbre.
Onde dormir para ver o nascer do sol
Taiziping é a base prática para o nascer do sol: cerca de meia hora a pé desde o Jinding, em boas condições. O alojamento é simples, com estadas rurais ao estilo de casas de hóspedes na aldeia e um hotel no cume. Os padrões e a disponibilidade variam, e os períodos de maior procura esgotam rapidamente, por isso confirme diretamente antes de contar com qualquer uma das opções. Ficar mais abaixo significa começar muito mais cedo ou perder por completo a primeira luz.
Segundo dia: descida pelos templos e desfiladeiros
Taiziping
Taiziping era originalmente o Convento Wanxing, fundado pelo mestre Chan Guzhi, da dinastia Ming, e reconstruído na era Shunzhi por Wenda. O nome vem de uma estátua de Zhu Changluo, filho do imperador Wanli, outrora aqui guardada. Abaixo do templo, uma rocha que se diz assemelhar-se a um elefante é conhecida como Pedra Xiangwang e está ligada, na lenda, à montada de Samantabhadra. As histórias são sobrepostas e locais; o templo em si é um local tranquilo para iniciar a descida.
Hongchunping
Hongchunping situa-se a 1.120 metros, na encosta abaixo do Pico Tianchi. O templo aqui é conhecido pela inscrição Hongchun Xiaoyu, ou Chuva Matinal de Hongchun, que recebe os visitantes à entrada. A expressão capta um tipo particular de tempo: uma névoa tão fina que quase não cai, molhando a roupa e escurecendo as árvores sem se tornar aguaceiro. O início da manhã é o momento para a notar, quando os caminhos estão escorregadios e a floresta parece ter mais cor do que o habitual.
Pavilhão Qingyin e Yixiantian
O Pavilhão Qingyin fica abaixo da Crista Niuxin, encaixado entre os ribeiros Heilong e Bailong. As duas águas encontram-se junto a um bloco escuro em forma de coração de boi, conhecido como Pedra Niuxin. O cenário é um dos mais celebrados do Emei Shan: água de ambos os lados, cristas arborizadas acima e o som constante dos ribeiros a correr sobre a pedra.
A oeste de Qingyin, o desfiladeiro de Heilongjiang estreita-se e dá lugar a Yixiantian. As falésias distam cerca de seis metros no ponto mais largo e três metros no mais estreito, caindo abruptamente até ao rio. O caminho acompanha o curso de água, com cascatas e afloramentos rochosos ao longo do percurso, virando com a água em vez de seguir em linha reta. Caminhe devagar e observe as paredes rochosas a apertarem-se.
Wanfo Chaozong e a floresta alta
O último nome do itinerário indicado, Wanfo Chaozong, pertence à zona alta em torno de Wanfoding e não ao desfiladeiro propriamente dito. Se a floresta superior, o Pavilhão Wanfo e os bosques de rododendros fizerem parte do plano, encare-os como uma excursão separada pelas terras altas e confirme as condições de acesso antes de partir. Caso contrário, termine a descida em Qingyin ou Baoguo e deixe a floresta superior para outra visita. Combinar ambas numa só tarde transforma um passeio contemplativo numa corrida.
Comida, água e clima de montanha
Há comida à venda no sopé da montanha e perto do cume, e a oferta é em grande parte semelhante, pelo que não há grande vantagem em carregar provisões pesadas desde o fundo do vale. Uma garrafa reutilizável é mais útil: há pontos de água disponíveis nos alojamentos e nos locais que servem refeições. As temperaturas oscilam entre o dia e a noite, por isso leve várias camadas de roupa, proteção contra a chuva e repelente de insetos. Acima da linha das nuvens, o sol pode ser forte mesmo quando os vales estão cinzentos.
Como chegar e notas práticas
Chengdu é o ponto de partida habitual. Há comboios de alta velocidade de Chengdu Sul e Chengdu Leste até à estação de Emeishan, que fica perto da área cénica e tem ligação por autocarro local. Não a confunda com a estação de Emei, a estação ferroviária convencional mais distante. Há autocarros de longo curso da estação de Xinnanmen, em Chengdu, para o Templo Baoguo. Para quem chega de avião, o aeroporto de Chengdu Shuangliu tem ligações ferroviárias em direção a Emeishan. De carro, o percurso utiliza a autoestrada Chengdu–Leshan, com cerca de 160 quilómetros e boas condições de estrada com tempo normal. Confirme os serviços e os dados das estações antes de partir.
A entrada na área cénica requer bilhete. Os preços, o que está incluído e os transportes de montanha mudam, por isso consulte os canais oficiais do Emei Shan em vez de se fiar em itinerários antigos. O mesmo se aplica à disponibilidade de hotéis no cume e de alojamento nos templos. Um plano flexível e camadas de roupa quente serão mais úteis do que uma lista fixa de pontos a cumprir.
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