O mosteiro de Donggar fica a cerca de sete quilómetros a noroeste da sede do condado de Seda, no alto de uma colina que, segundo os locais, tem a forma de uma concha branca. A semelhança deu nome ao lugar: donggar significa concha branca em tibetano. Abaixo, o Sê Qu corre por campos abertos. A tradição atribui ao lama Quxi Wujin a fundação do mosteiro em 1686. Segue a tradição Nyingma, a mais antiga das escolas budistas do Tibete, e pertence à linhagem Palyul. Seda inclui-o entre os seus três grandes mosteiros e, segundo os cálculos locais, ocupa o primeiro lugar entre treze mosteiros históricos da região.
A escala é modesta ao lado de Larung Gar, mas Donggar é uma instituição em funcionamento. Cerca de quatrocentos monges vivem aqui, estudando no shedra e praticando nos alojamentos de retiro. Partes do complexo estão abertas a visitantes. A suposição a evitar é a de que se trata de um local de visita turística.
Como chegar a Donggar
A partir da cidade, a estrada acompanha o Sê Qu por cerca de sete quilómetros através de pastagens antes da subida. O acesso é fácil de carro próprio ou táxi, e as aplicações de navegação reconhecem o nome chinês do mosteiro de Donggar. Vindo de Larung Gar, conte com cerca de vinte e sete quilómetros: vinte de regresso à cidade e depois os mesmos sete a noroeste. Não existe um serviço de transporte regular para o mosteiro, por isso os viajantes independentes alugam um carro ou juntam-se a um pequeno grupo. Vale a pena confirmar em Seda o acesso, as tarifas e as restrições sazonais antes de partir, uma vez que as condições da estrada e o calendário religioso afetam os preparativos.
O Salão de Assembleia
O salão principal é a face pública do mosteiro: colunas vermelhas esculpidas com dragões e flores, um interior dourado, murais em três paredes e um Buddha Shakyamuni sentado. O chão é alcatifado, por isso o calçado fica à porta, e o espaço mantém-se fresco. Pode ser necessária autorização antes de entrar. Já dentro, sente-se a um lado e fale baixo. Os cânticos, quando acontecem, enchem a sala, com tambores, sinos e outros instrumentos rituais. Chegar durante um ensinamento ou uma cerimónia é um privilégio, não um espetáculo. Peça autorização a um monge ou a um assistente antes de tirar qualquer fotografia.
A Torre do Buddha da Medicina
Os peregrinos vêm sobretudo por este edifício. Dê três voltas à torre antes de entrar, no sentido em que os outros seguem, e não corte o percurso dos fiéis. O rés-do-chão é um salão de assembleia repleto de imagens, onde jovens monges podem estar a estudar ou a fazer uma refeição. No segundo andar há estátuas douradas de execução fina das tradições Kadam, Sakya, Nyingma, Kagyu e Gelug. O terceiro andar alberga a biblioteca de escrituras, com sutras e thangkas ligados à prática do Buddha da Medicina. No topo, um grande Buddha da Medicina está voltado para quem se aproxima, com centenas de imagens mais pequenas incrustadas nas paredes; escadas conduzem a uma zona exterior do telhado decorada com emanções do Buddha da Medicina. Por vezes, a fotografia é tolerada em áreas específicas, mas peça autorização sempre.
Caminhos de oração e vida festiva
Observe como os edifícios estão construídos: as esculturas nas colunas, a disposição das capelas, os percursos que os peregrinos fazem em torno dos salões e das torres. Um circuito coberto recebe o movimento de fiéis que giram rodas de oração e fazem circunvolução. Acompanhe o fluxo, mantenha-se de um lado e não bloqueie quem está a rezar.
O mosteiro mantém um calendário de rituais regulares e de festivais anuais de maior dimensão. O mais conhecido é o festival de orações a Guru Rinpoche, realizado ao longo dos primeiros dez dias do terceiro mês lunar, quando os monges entoam cânticos pela paz e pelo bem-estar de todos os seres e apresentam ópera tibetana e danças vajra. As datas lunares variam de ano para ano, por isso confirme junto do mosteiro ou de uma fonte local fidedigna antes de planear uma viagem em torno de um festival.
A vista sobre a Pradaria de Jinma
Em frente ao mosteiro, a Pradaria de Jinma abre-se para montanhas em camadas. Num dia claro, o mosteiro, a pradaria e os picos nevados ao longe compõem uma boa fotografia; o tempo pode mudar sem grande aviso. O nome de Seda está frequentemente associado a um cavalo dourado. Uma história conta que os habitantes locais encontraram ouro em forma de cabeça de cavalo; outra liga-o ao cavalo de guerra de Gesar. A pradaria situa-se nos cursos superiores dos sistemas fluviais do Dadu, do Yalong e do Jinsha e faz parte de uma área de pastagem mais vasta que inclui a pradaria de Zhaxika, em Shiqu. Mantenha-se nos caminhos, feche os portões atrás de si e dê espaço aos animais a pastar.
Etiqueta na prática
- Vista-se com modéstia, tire o chapéu dentro dos santuários e os sapatos nos salões com alcatifa.
- Peça autorização antes de entrar numa capela ou de filmar. Alguns espaços estão fechados aos visitantes; outros encerram durante os rituais.
- Não toque em estátuas, thangkas, instrumentos ou objetos dourados.
- Faça a circunvolução no sentido em que os peregrinos se deslocam. A indicação local é dar um número ímpar de voltas ao mosteiro e aos seus salões.
- Notas de valor baixo para oferendas são bem-vindas, nunca obrigatórias.
- Fale em voz baixa e mantenha os telefones em silêncio. Não se sente nos lugares dos monges nem passe entre um professor e a audiência.
- Seda fica a grande altitude. Vá com calma no primeiro dia, beba água e esteja atento a dores de cabeça ou falta de ar.
- Verifique o tempo e as condições das estradas; a neve ou a chuva podem afetar a aproximação.
Como chegar e planear
Meio dia chega para conhecer Donggar a partir da vila de Seda, e a visita integra-se bem numa estadia mais longa na região. Viajantes independentes alugam ou partilham um carro. Os grupos organizados podem incluir o mosteiro, por isso confirme o que está incluído. As capelas não têm horários publicados fiáveis e podem encerrar para cerimónias ou manutenção; confirme transportes, acesso e datas de festivais no local ou através de um contacto oficial do mosteiro. Larung Gar tem regras de acesso próprias, e não se deve presumir que uma visita seja possível.
Reserve tempo para o pátio antes de voltar à cidade. Sente-se um pouco, observe os peregrinos a circular a torre e aprecie a vista da pradaria na saída.
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